O coveiro Ulisses é testemunha da tragédia do coronavírus em Manaus e seu relato é comovente


Ulisses Xavier é um homem simples, acostumado a lidar com a morte, trabalha como coveiro há 16 anos, no cemitério público Nossa Senhora Aparecida em Manaus, capital do estado do Amazonas que é um dos mais afetados pela pandemia da Covid-19.

Mas a chegada do novo coronavírus mudou a realidade de Ulisses que se viu no meio de dezenas de corpos que começaram a chegar no cemitério junto com os familiares desesperados que não podiam mais se despedir de seus mortos.

Foi assustador, a média diária de enterros em Manaus que possui 2,1 milhão de habitantes era de 30 antes da pandemia e passou para mais de cem por dia.

Ulisses, de 52 anos confessou que teve medo de se contaminar, teve que aprender a se proteger e a mudar completamente sua rotina, trabalha por mais horas, precisa usar equipamento de proteção em meio ao calor escaldante, mas toma todos os cuidados para não levar a doença para casa.

“Tenho medo de levar a doença para dentro da minha casa. Trabalho em uma área de grande risco de contaminação”, afirma.

Com o colapso do sistema de saúde veio o também o estrangulamento do sistema funerário, muitas pessoas estão morrendo em casa e há alguns dias ele desce os caixões em valas comuns, o que para Ulisses é algo muito triste, principalmente para as famílias dos mortos.

Outras vezes, Ulisses abre túmulos individuas, segundo ele sempre chega alguém com um familiar morto de última hora, mas ele confessou que fica esgotado após cavar 5 covas.

No alto da sua simplicidade ele revela que espera que passe logo, contou que perdeu amigos e vizinhos e que se sente grato por poder voltar para casa e abraçar minha filha e minhas netinhas.

“Chego em casa, tiro a minha roupa, entro no banheiro. Tomo banho e já lavo minha roupa. Só depois disso que vou abraçar minha filha e minhas netas”, relata Ulisses, cuja esposa se mudou temporariamente para outro lugar para não contrair o coronavírus.

COVID-19

O novo coronavírus – Covid-19 – não escolhe suas vítimas, todos estão sujeitos e suscetíveis ao contágio, por isso siga as orientações da OMS – Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde e proteja-se. FIQUE EM CASA !!!

Fonte: Época