Mulher teve órgão removido e só descobre 11 anos depois


Uma mulher teve o útero removido e só descobriu 11 anos depois, o que causou um enorme espanto.

A sul-africana Bongekile Msib, contou a rede televisão BBC que deu à luz à sua primeira filha com 17 anos, mas que 11 anos depois, notou que seu útero havia sido removido, quando tentava engravidar novamente.

Segundo as investigações, a paciente pode ter sido vítima de esterilizações sem consentimento. Segundo a Comissão para Igualdade de Gênero, o número de vítimas já está em torno de 48 casos.

Ao todo, 15 hospitais são investigados por casos relacionados, principalmente por sumiços de prontuários.

Veja o relato completo da paciente à BBC:

“Eu fiquei arrasada e confusa. Não fazia sentido, porque eu era mãe.

Foi muito cruel o que fizeram comigo.

Procurei a imprensa, depois o ministério da Saúde, e acabei voltando ao hospital onde tive minha filha.

Encontrei o médico que disse que estava lá no dia do parto. Ele não pediu desculpas. Disse que tinha me esterilizado para salvar minha vida.

Eu não sei até hoje do que ele estaria tentando me salvar. Não havia registros no hospital.

E eu não sou a única. Uma investigação descobriu que há outras 47 mulheres que sofreram o mesmo que eu.

Algumas ouviram que foi porque elas tinham HIV, mas eu não tenho. Eu não sei por que eles fizeram isso.

O médico me disse que eu assinei um formulário de consentimento. Eu não assinei. Eu era menor de idade na época, então nem poderia.

Ele então me disse que minha mãe, que estava comigo no parto, tinha assinado o formulário. Ela disse que não assinou.

Essa notícia mudou minha vida. Eu acabei terminando com meu noivo. Tive que deixá-lo ir, porque ele queria muito ter filhos e eu não poderia lhe dar isso.

Quando eu me encontrei com o médico me perguntaram o que eu queria.

Eu quero tanto um filho! Quando eu vi uma colega grávida nesta semana eu não pude suportar.

Minha filha quer um irmão e quando cruzamos com crianças na rua ela sugere que eu adote um como meu filho.

Eu ainda tenho ovários, então acho que o hospital deveria pagar por uma barriga de aluguel.

Eu quero que alguém seja responsabilizado.

Não podemos permitir que médicos continuem fazendo isso, nossos direitos como mulher estão sendo violados.

Médicos precisam saber que estão sob escrutínio, que sabemos o que eles fazem enquanto estamos inconscientes.

E eu quero que o médico que fez isso peça desculpas.

Pela forma como eles lidaram com isso, parece que ele tinha tirado apenas um dedo, quando na verdade toda minha identidade como mulher foi roubada.

Eu jamais vou superar isso e aquela cicatriz sempre será uma lembrança”.