Duas pessoas são intoxicadas por remédio que Trump e Bolsonaro dizem combater o coronavírus


Após o surto de coronavírus evoluir, de acordo com a classificação da OMS (Organização Mundial de Saúde), para uma pandemia, a corrida em busca de uma medicação ou vacina que contenha o vírus se intensificou.

Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a cloroquina, substância utilizada contra a malária, como possível solução para a pandemia. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que laboratórios do exército ampliarão a produção da substância.

O pronunciamento dos presidentes soou como uma esperança de que a cloroquina possa curar os sintomas da covid-19 e levou ao esgotamento do produto em diversas farmácias do Brasil. Pessoas com lúpus, que realmente precisam da medicação, já relatam problemas para encontrá-lo, o que levou a Anvisa a classificar a substância como medicamento se controle especial, dificultando a compra.

Na última sexta-feira (20), um dia após Donald Trump anunciar a cloroquina como esperança de cura, duas pessoas foram internadas, na Nigéria, com intoxicação causada pelo medicamento.

“Já registramos dois casos de intoxicação, mas provavelmente teremos mais e mais nos próximos dias”, disse Ore Awokoya, assessora especial de saúde do governo de Lagos, à agência AFP na última sexta-feira (20).

“Depois da declaração de Donald Trump, isso ganhou outra dimensão. As pessoas foram em massa às farmácias para comprar cloroquina”, acrescentou a assessora, descrevendo a compra em massa do medicamento como “preocupante”.

Fonte: Uol